quinta-feira, 28 de março de 2013

Aneel destrava negócios no mercado livre de energia

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu manter a sazonalização das geradoras de energia já realizada em 2013, em decisão na reunião da diretoria desta terça-feira. 


A medida deve destravar os negócios no mercado livre de energia, que desde a semana passada aguardava a autorização da agência para voltar a operar.


“Precisamos tomar uma decisão que seja menos traumática para o mercado. 

Isso significa manter a sazonalização já feita e verificar com a CCEE o prazo para restabelecer a normalidade”, disse o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, em entrevista coletiva após a reunião.

A agência ainda determinou que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) liquide a contabilização no mercado de curto prazo de energia em janeiro de 2013, operação que estava paralisada. 


Com essa liberação, as operações do mercado de curto prazo de energia voltam ao normal.

A área técnica da Aneel vai propor em até 60 dias novas regras de alocação de energia das geradoras para 2014.

O diretor da Aneel, André Pepitone, disse ainda que a agência vai analisar a possibilidade de que a usina hidrelétrica Itaipu também possa sazonalizar energia ao longo do ano.

A sazonalização consiste em um mecanismo em que as geradoras distribuem ao longo do ano como vão disponibilizar o lastro de sua geração de energia. 

É por meio dessa distribuição do lastro que elas planejam como vão lidar com os riscos relativos às diferenças de preço no mercado de curto prazo.

As informações são da Agência Reuter

quarta-feira, 20 de março de 2013

CE terá o maior parque solar do País neste ano


Novo projeto em Russas terá capacidade para abastecer uma cidade com cerca de 100 mil habitantes


O projeto já passou por audiência pública em Russas. Aguarda a avaliação da Chesf FOTO: CID BARBOSA



O Ceará deve abrigar, até o fim deste ano, o maior parque de energia solar do País. Ao todo, devem ser investidos R$ 60 milhões para a instalação de uma potência de 10 megawatts (MW) em Russas pela Kwara - empresa cearense que conta com sócios brasileiros em São Paulo e dos EUA. A construção do projeto tem previsão de ser iniciada até junho, deixando o Estado mais uma vez na vanguarda nacional da geração deste tipo de energia renovável. A capacidade do projeto deve ser o suficiente para abastecer uma cidade com cerca de 100 mil habitantes, de acordo com o diretor geral do empreendimento, Augusto César Rodrigues, e deve atender o mercado livre de energia, ou seja, deve comercializar o fornecimento com indústrias ou grandes empresas.

Área


Batizado de Kwara Solar Russas I, o parque conta com investimento próprio dos sócios e é planejado desde maio do ano passado. Para a construção, deve utilizar 47 hectares, dos 450 hectares do terreno já adquirido.

A localização, segundo o diretor, é estratégica. O terreno fica nas margens da BR 116, em Russas - A 165km de Fortaleza - e fica a 11 Km das subestações da Companhia Energética do Ceará (Coelce) e da Companhia Hidrelétrica do Rio São Francisco (Chesf), nas quais deve lançar a energia gerada.

"Ainda não estamos ofertando no mercado livre, mas quando tivermos, já temos prospecções. E o nosso cliente preferencial, provavelmente, deve ser o industrial", revelou o diretor Comercial, Luiz Duarte.

Outras usinas

A capacidade instalada de 10MW do empreendimento executado por Augusto é dez vezes maior que as outras duas plantas solares em atividade no Brasil. A primeira delas é o projeto de 1MW MPX, que opera em teste em Tauá. A segunda é a da CPFL Renováveis, em Tanquinhos, em Campinas, que tem 1,1MW.

Augusto contou ainda dos planos de montar, em Russas, um laboratório para trabalhar a durabilidade e o rendimento dos painéis e demais equipamentos usados. "O que acontece é que você não tem hoje, no Brasil, o que realmente ocorre numa placa instalada aqui. Todas as medições são feitas do exterior", diz.

Documentação exigida

Sobre os documentos necessários para iniciar a obra no meio deste ano, o diretor de Operações da Kwara, Edilberto Rodrigues, conta que o projeto já tem a avaliação da Coelce e teve também a audiência pública realizada em Russas. Agora, aguarda a avaliação da Chesf. Os documentos são exigidos para a chamada consulta de acessibilidade. Todos devem ser encaminhados para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) junto com o licenciamento ambiental.

"Esses procedimentos correm juntos e não devem ter muitos empecilhos. O prazo legal da Chesf, por exemplo, é de 180 dias, mas acreditamos que saia antes por não ter tanta demanda para aquela área, além de ser um projeto de visibilidade", aposta.

No entanto, a instalação dos 10MW de capacidade fazem parte apenas da primeira fase do empreendimento. A ideia é executar três projetos consecutivos com 30MW de potência instalada cada, todas viabilizadas financeiramente a partir de leilões.

"Muitos investidores vêm estudando a possibilidade de esperar pelo leilão ou avançar investindo na construção da usina. É uma coisa que pode até mudar de rota, mas nosso direcionamento é iniciar o projeto da Kwara Solar Russas II a partir do posicionamento do governo a respeito do leilão", ressaltou o diretor de operações.

A expectativa dele é de que os pleitos ocorram entre 2014 e 2015, já que os rumores de os leilões para energia solar fossem feitos no ano passado não se tornaram verdade - "e isso assustou muito o investidor". Com a ampliação, o projeto vai saltar para 100MW de potência instalada e terá o investimento multiplicado por 10, chegando perto dos R$ 600 milhões. Com a oferta, ele disse esperar da geração para o mercado livre de energia a maior e mais forte fonte de negócios da empresa em todas as praças nas quais atuam.

Além da geração de energia para o mercado livre, a Kwara atua também na manutenção e elaboração de projetos elétricos e, agora, planeja entrar na micro e minigeração (para atender residências e pequenos negócios).

Armando de Oliveira Lima

Repórter

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Mercado livre de energia cria câmara de compensação

A partir do ano que vem, o mer­cado livre de energia elétrica — ou Ambiente de Livre Contrata­ção (ACL) — deverá contar com uma câmara de compensação, entidade que concentra o risco de inadimplência de comprado­res e vendedores. 

A iniciativa é do BBCE (Balcão Brasileiro de Co­mercialização de Energia), que ambiciona se transformar numa bolsa de contratos de energia. O anúncio vem após um ano em que a inadimplência na liqui­dação, ou entrega, chegou a pas­sar de 20%. 


Câmara de compensação, ou clearing house, é uma central que absorve os riscos envolvidos na compra e venda de ativos. Ela se coloca entre as partes e trans­fere os valores acertados. Se o comprador ou o vendedor não honra o compromisso, cabe à câ­mara cumprir o contrato. 

No ano passado, a disparada no preço da energia levou ao au­mento da inadimplência na liqui­dação ou entrega, situação na qual o vendedor deixa de honrar o compromisso. Este cenário aju­da a inibir os negócios. O meca­nismo de clearing house é um an­tídoto, pois eleva a confiabilida­de e gera mais liquidez. 

"É uma demanda do setor. A câmara de compensação dá mais segurança e aumenta a liquidez, como aconteceu em outros mer­cados — a commodity é um bom exemplo. 

É o caminho para o de­senvolvimento", diz Victor Kod- ja, presidente do BBCE. "Os agen­tes buscam mais transparência e melhoria nas operações. O mo­mento de dar este passo chegou." 


Com a câmara de compensa­ção, o BBCE espera elevar de 6% para 20% o potencial de desloca­mento para sua plataforma. O es­paço para a ampliação do giro de negócios é grande. 

"No Brasil, o contrato gira duas vezes e meia. No exterior, gira de seis a oito ve­zes", diz Kodja. O BBCE está tra­balhando na estruturação da câ­mara e quer lançá-la no início de 2014, com a possibilidade de ter um sócio do sistema financeiro. 

Depois, o objetivo é se trans­formar em bolsa, atraindo usuá­rios que, hoje, fecham negócios "no balcão", ou seja, sem uso de plataformas como o BBCE ou o Brix. O atendimento a contratos fechados fora do BBCE — ques­tão decisiva para o alcance do mecanismo — não foi discutido. 

É uma limitação importante. "BBCE e Brix representam um montante pequeno dentro do to­tal de transações fechadas no mercado", pondera Luciano Frei­re, conselheiro da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), que centraliza os regis­tros de contratos. "Mas é impor­tante caminhar para um ambien­te com clearing", destaca. 

Erik Eduardo Rego, diretor da consultoria Excelência, concor­da: "O advento de uma clearing seria tão positivo quanto foi a da BM&F para impulsionar os mercados futuros e derivativos financeiros. A BM&F inclusive já tentou lançar mercado futuro de energia, mas não deu certo". 

Porém, a clearing do BBCE só conseguiria atender os usuários de sua plataforma,afirma. "Te­ria mais força se contasse com a participação da CCEE. 

Para Carlos Faria, presidente da Associação Nacional dos Con­sumidores de Energia (Abrace), a criação de uma clearing seria ideal para o mercado, mas uma aposta arrojada demais. "Ainda estamos muito regulados e não vejo como evoluir rapidamente para o ambiente de bolsa." 

(Brasil Econômico)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

MP579: TUST será reduzida para todos os geradores em 8,60% em 2013

Além de repassar aos consumidores (cativos e livres) os benefícios capturados com redução das Tarifas de Uso dos Sistemas de Transmissão (TUST)–que serão recalculadas devido à aplicação das condições da Medida Provisória 579:

os geradores de energia, em geral, também serão beneficiados com uma redução média de 8,60% a partir de 2013, decidiam os diretores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), após reunião extraordinária realizada nesta segunda-feira (17/12), acompanhado o voto do relator-vista, o diretor Julião Silveira Coelho. 


Dessa forma, os consumidores brasileiros que, a princípio, teriam uma redução da TUSD equivalente a 63,70%, veem a sua parcela reduzir para 63,10%. 

A previsão inicial - proposta pelo relator do processo, diretor André Pepitone - era a de que todo o benefício capturado com a redução da TUST fosse revertido apenas aos consumidores, às usinas atômicas Angra 1 e 2, e aos geradores cotistas.

A posição gerou muita discussão na última reunião ordinária da Aneel, realizada em 11 de dezembro. Diante da insegurança dos diretores em votar o processo - que se trata do resultado da Audiência Pública nº 91/2012, instaurada com o objetivo de definir metodologia para o cálculo extraordinário TUST – Coelho pediu vistas do tema. 

Na ocasião, Pepitone se demonstrou incomodado com a suspensão do tema. Entretanto, reviu a sua opinião nesta terça, chegando a afirmar que a proposta “evoluiu”. “A princípio, a meu ver, era indevida a redução para os geradores não cotistas”, reconheceu o diretor da Aneel. “O voto traz um aprimoramento ao que eu proferi.” 

O diretor Edvaldo Santana acompanhou a opinião de Pepitone e inclusive elogiou a revisão feita por Julião em conjunto com área técnica da Aneel. “Não tenho dúvida de que a proposta de agora melhora em muito a proposta anterior”, disse. 

Durante a leitura do relatório, Julião explicou que a revisão da TUST considerará alguns fatores, entre eles: a extinção do recolhimento da Reserva Global de Reversão (RGR), as novas receitas pagas às transmissoras para operar e manter os ativos alcançados pela MP579, a indenização a ser paga pelos ativos não amortizados e não depreciados, entre outros pontos técnicos previstos. 

MPF investiga atuação da Aneel no RS
O Ministério Público Federal (MPF) informou que instaurou um inquérito civil com o objetivo de apurar possíveis responsabilidades da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) “nas deficiências da prestação de serviços de distribuição” pela Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE-D), que atua no Rio Grande do Sul. 

De acordo com o MPF, o procurador da República Alexandre Amaral Gavronski vai apurar os termos e controle sobre a delegação de suas responsabilidades fiscalizatórias para a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS), bem como a legalidade de sua disciplina regulatória pertinente e as responsabilidades conexas de outros entes e órgãos. 

Além disso, foi criado um endereço de correspondência eletrônica (e-mail) para possibilitar que os consumidores relatem todos os prejuízos que tenham sofrido, com o objetivo de auxiliar nas investigações. 

Entre as providências adotadas pelo procurador estão expedição de ofício ao diretor-geral da Aneel, requisitando cópia do convênio firmado entre o órgão e a AGERGS, que delegou a fiscalização do serviço de distribuição de energia elétrica no Estado do Rio Grande do Sul. 

Outro ponto a ser observado no processo, seria o esclarecimento por parte da Aneel, de quanto foi recebido a título de Taxa de Fiscalização sobre Serviços de Energia Elétrica (TFSEE) pagos pelos consumidores da Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE-D) nos anos de 2011 e 2012, bem como se há conhecimento de que foi adotada alguma providência em relação às interrupções de energia na região. 

Segundo o MPF, o procurador da República Alexandre Amaral Gavronski deve se reunir com membros do Ministério Público Estadual para traçar uma estratégia conjunta de atuação na questão, em razão de haver atribuições complementares e a necessidade de uma atuação efetiva para prevenir novas ocorrências. (Jornal da Energia)


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Mercado livre tem maior demanda do ano e consome 15,8GW em outubro


Segmento foi responsável por 26,2% do consumo total de energia no País

São Paulo – O mercado livre de energia, onde estão os maiores consumidores do País, teve em outubro a maior demanda do ano, de 15.808 megawatts (MW) médios. 

O número representa um crescimento de 6,4% em relação ao mesmo mês do ano passado. 

Com isso, o segmento foi o responsável por 26,2% do total de eletricidade utilizado no mês, que alcançou 60.262MW médios. 

Os números estão na última edição do boletim InfoMercado, divulgada hoje pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE.

Os consumidores livres, que possuem demanda a partir de 3MW, e os especiais, que demandam entre 500kW e 3MW, foram os responsáveis pela maior parte dessa carga – 11.218MW. Juntas, essas categorias somavam, ao final de outubro, 1.521 agentes. 

A expansão no número de agentes frente a outubro de 2011 é de quase 43%.

Com isso, a Câmara de Comercialização contabilizou 16.793 contratos de compra e venda de energia elétrica, com a movimentação de 83.894MWmédios. 

Os termos registrados apresentaram alta de 23,8% frente a outubro de 2011. A maior parte deles (79,11%) é de longo prazo, com duração acima de seis meses.

Já a geração de energia, que atingiu 60.375MWmédios em outubro, foi 6,7% maior do que no mesmo mês do ano passado. 

A predominância foi das hidrelétricas, com 44.665MW médios (77% do total), e das termelétricas, que produziram 13.139MW médios (21,76%). 

Em seguida, aparecem os parques eólicos, que entregaram 771MW médios (1,28%) - o que representou um aumento de 62% no volume de energia proveniente desta fonte.

A garantia física das usinas existentes soma, na média móvel dos últimos 12 meses, 59.780MW médios. Com isso, ficou assegurada uma folga de 2,72% entre a garantia física e o consumo médio do período.

Clique aqui para acessar a íntegra do InfoMercado.

O Info Mercado
O Info Mercado é um boletim mensal que traz os principais resultados das operações contabilizadas no âmbito da CCEE. Cada edição é divulgada com intervalo de dois meses após o mês de referência da contabilização, tempo necessário à apuração dos dados.
A publicação do Info Mercado vai ao encontro do objetivo da CCEE de fornecer ao mercado informações transparentes sobre o setor de energia elétrica no País.
Sobre a CCEE
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE (www.ccee.org.br) é responsável por viabilizar e gerenciar a comercialização de energia elétrica no país, garantindo a segurança e o equilíbrio financeiro deste mercado. A CCEE é uma associação civil sem fins lucrativos, mantida pelas empresas que compram e vendem energia no Brasil. 

O papel da CCEE é fortalecer o ambiente de comercialização de energia - no ambiente regulado, no ambiente livre e no mercado de curto prazo - por meio de regras e mecanismos que promovam relações comerciais sólidas e justas para todos os segmentos do setor (geração, distribuição, comercialização e consumo). 

A CCEE atua em conjunto com outras instituições e órgãos governamentais que compõem a governança do setor para assegurar um modelo sustentável de energia no país, capaz de estimular o crescimento da economia do Brasil e, ao mesmo tempo, garantir um preço acessível ao consumidor.

Mais informações
Assessoria de Imprensa da CCEE – Textual Comunicação

Atendimento
Luciano Costa - lucianocosta@textual.com.br 11 5180-6923

Gerência
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Mercado Livre pode atender 45% do consumo elétrico

Apesar da renovação das concessões de diversos ativos de geração e transmissão de energia, definida pela presidente Dilma Rousseff com a Medida Provisória 579, que deve baratear o custo do insumo para os consumidores cativos, o mercado livre projeta crescimento.


Esse segmento é formado por grandes clientes, que possuem demandas acima de 0,5 MW e podem, pela lei, escolher de quem vão comprar a energia. As empresas que têm de 0,5 MW a 3 MW de demanda podem adquirir no mercado livre desde que de fontes incentivadas (eólica, PCHs e biomassa). 

Acima desse patamar, pode ser aproveitado qualquer tipo de geração.

O presidente da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), Charles Lenzi, destaca que o mercado livre ainda verifica um enorme espaço para se expandir. Ele ressalta que os cerca de 1,1 mil consumidores que compõe o setor representam hoje 27% de todo o mercado de energia elétrica no País. 

O executivo estima que, com as regras atuais, o segmento pode ser responsável por 40% a 45% de todo o consumo de eletricidade, alcançando em torno de 10 mil consumidores. Esse resultado poderia ser atingido em um prazo de cinco a dez anos. “Percebemos que cada vez mais há clientes manifestando o interesse de fazer a opção de ir para o mercado livre”, diz. 

De acordo com Lenzi, a economia de energia com a iniciativa depende da classe de consumo, entre outras questões, mas fica em uma média de 10% a 15%.

No entanto, o dirigente salienta que é importante o aperfeiçoamento da legislação. Ele enfatiza que do jeito que foi proposta a MP 579, o consumidor que está no mercado livre, aparentemente, só terá redução da sua conta de luz nos componentes da tarifa relacionados à transmissão e aos encargos, mas não quanto ao custo de geração. 

Para Lenzi, os benefícios com a diminuição do custo de produção de energia deveriam ser distribuídos de forma proporcional para os mercados livre e cativo. Ele sustenta que ainda é possível fazer aprimoramentos na medida provisória para comtemplar os dois segmentos.

O consultor da Andrade e Canellas Energia Alexandre Furstenberger argumenta que a maior parte da expansão do mercado livre nos próximos anos deverá ser feita por consumidores com demandas de 0,5 MW a 3 MW, como shopping centers, hospitais, entre outros. 

Furstenberger não descarta que ocorra uma desaceleração da migração ao mercado livre devido a uma retração na tarifa de energia dos cativos com a MP 579. Porém, ele também crê que algumas emendas poderão ser apresentadas para equilibrar a questão.

O presidente da Bio Energias, Felipe Barroso, aponta que o mercado livre de energia movimenta negócios da ordem de R$ 30 bilhões por ano. No entanto, ele comenta que, ao contrário de outros países, o Brasil conta com uma legislação bastante restritiva na área. “Na Europa, por exemplo, até o consumidor residencial tem liberdade para escolher a empresa que vai lhe fornecer energia”, diz Barroso.

O dirigente concorda que a MP 579 deveria ter contemplado a distribuição isonômica da chamada energia velha entre o ambiente de contratação livre e o de contratação regulado. 

“Porém, como algumas grandes geradoras estaduais não aderiram à renovação, a competitividade de mercado livre não será muito afetada”, aposta ele.

Como forma de ressaltar as vantagens da migração para o mercado livre, a Bio Energias colocou em seu site (www.bioenergias.com.br) um contador medindo a economia de energia com a ação. 

Também com a intenção de promover esse segmento, a Fiergs recebeu ontem uma palestra dentro da campanha 2012 - O Ano do Mercado Livre de Energia, promovida por nove entidades do setor, em parceria com a consultoria Andrade e Canellas.

Votação de medida provisória que altera indenização fica para 2013

A votação da medida provisória que aumenta a indenização das transmissoras de energia (MP 591), que aderiram ao plano de renovação das concessões que vencem entre 2015 e 2017, foi adiada para 2013. 

Líder do governo no Congresso, o senador José Pimentel (PT-CE) informou que só serão apreciadas neste ano as medidas provisórias até o número 588. A decisão foi fruto de um acordo político, entre os partidos, não detalhado pelo senador. 

Com o acordo, a MP que trata das renovações das concessões do setor elétrico (MP 579), deve ser apreciada ainda em 2012, mas a 591, que é complementar à primeira, será votada apenas a partir de fevereiro. A MP 591 altera a fórmula da MP 579 para calcular a indenização das transmissoras de energia. 

Antes, os investimentos anteriores a 2000 feitos pelas empresas seriam considerados amortizados e não entrariam no cálculo do governo.
MP avança sem mudança em prazo para adesão

O Congresso aprovou ontem a MP 579, que prevê a renovação das concessões do setor elétrico, com alterações feitas pelo relator Renan Calheiros (PMDB-AL). 

Uma das mudanças prevê uma perda de arrecadação de R$ 100 milhões para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O texto, que era analisado em comissão mista especial, passa agora para votação no plenário da Câmara e depois do Senado. 

Pouco antes da aprovação, o relator da MP 579, Renan Calheiros, voltou atrás e decidiu retirar o prazo de 30 dias que permitiria às empresas do setor elétrico tempo maior para aderir às normas da MP.

O anúncio da proposta foi feito pela manhã, quando o relator leu as alterações que previam sobre a medida provisória. A criação desta janela seria uma alternativa para que companhias importantes, como a Cesp e a Cemig, pudessem repensar a decisão e aderir ao novo plano presidencial. 

À tarde, no entanto, após pedido de vista coletivo pelos integrantes da comissão que analisam a MP, o relator decidiu voltar essa parte do texto ao modelo anterior. Ao tentar se justificar, o senador foi confuso e misturou temas distintos. 

Segundo ele, a intenção de permitir os 30 dias para adesão serviria para aclarar o processo. No entanto, os parlamentares entenderam essa extensão do prazo como uma forma de revisar os contratos e buscar a renovação pelo modelo anterior à MP, ou seja, sem reduzir os preços.

FONTE: Jornal do Comércio – RS

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Mercado livre pode atender 45% do consumo elétrico

Com 27% dos consumidores, meta é quase dobrar em dez anos

Jefferson Klein
MARCO QUINTANA/JC
Lenzi defende alterações na MP 579 para impulsionar investimentos

Apesar da renovação das concessões de diversos ativos de geração e transmissão de energia, definida pela presidente Dilma Rousseff com a Medida Provisória 579, que deve baratear o custo do insumo para os consumidores cativos, o mercado livre projeta crescimento. 

Esse segmento é formado por grandes clientes, que possuem demandas acima de 0,5 MW e podem, pela lei, escolher de quem vão comprar a energia. 

As empresas que têm de 0,5 MW a 3 MW de demanda podem adquirir no mercado livre desde que de fontes incentivadas (eólica, PCHs e biomassa). 

Acima desse patamar, pode ser aproveitado qualquer tipo de geração.

O presidente da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), Charles Lenzi, destaca que o mercado livre ainda verifica um enorme espaço para se expandir. Ele ressalta que os cerca de 1,1 mil consumidores que compõe o setor representam hoje 27% de todo o mercado de energia elétrica no País. 

O executivo estima que, com as regras atuais, o segmento pode ser responsável por 40% a 45% de todo o consumo de eletricidade, alcançando em torno de 10 mil consumidores. Esse resultado poderia ser atingido em um prazo de cinco a dez anos. 

“Percebemos que cada vez mais há clientes manifestando o interesse de fazer a opção de ir para o mercado livre”, diz. De acordo com Lenzi, a economia de energia com a iniciativa depende da classe de consumo, entre outras questões, mas fica em uma média de 10% a 15%.

No entanto, o dirigente salienta que é importante o aperfeiçoamento da legislação. Ele enfatiza que do jeito que foi proposta a MP 579, o consumidor que está no mercado livre, aparentemente, só terá redução da sua conta de luz nos componentes da tarifa relacionados à transmissão e aos encargos, mas não quanto ao custo de geração. 

Para Lenzi, os benefícios com a diminuição do custo de produção de energia deveriam ser distribuídos de forma proporcional para os mercados livre e cativo. Ele sustenta que ainda é possível fazer aprimoramentos na medida provisória para comtemplar os dois segmentos.

O consultor da Andrade e Canellas Energia Alexandre Furstenberger argumenta que a maior parte da expansão do mercado livre nos próximos anos deverá ser feita por consumidores com demandas de 0,5 MW a 3 MW, como shopping centers, hospitais, entre outros. 

Furstenberger não descarta que ocorra uma desaceleração da migração ao mercado livre devido a uma retração na tarifa de energia dos cativos com a MP 579. Porém, ele também crê que algumas emendas poderão ser apresentadas para equilibrar a questão.

O presidente da Bio Energias, Felipe Barroso, aponta que o mercado livre de energia movimenta negócios da ordem de R$ 30 bilhões por ano. No entanto, ele comenta que, ao contrário de outros países, o Brasil conta com uma legislação bastante restritiva na área. 

“Na Europa, por exemplo, até o consumidor residencial tem liberdade para escolher a empresa que vai lhe fornecer energia”, diz Barroso. 

O dirigente concorda que a MP 579 deveria ter contemplado a distribuição isonômica da chamada energia velha entre o ambiente de contratação livre e o de contratação regulado. 

“Porém, como algumas grandes geradoras estaduais não aderiram à renovação, a competitividade de mercado livre não será muito afetada”, aposta ele.

Como forma de ressaltar as vantagens da migração para o mercado livre, a Bio Energias colocou em seu site (www.bioenergias.com.br) um contador medindo a economia de energia com a ação. Também com a intenção de promover esse segmento, a Fiergs recebeu ontem uma palestra dentro da campanha 2012 - O Ano do Mercado Livre de Energia, promovida por nove entidades do setor, em parceria com a consultoria Andrade e Canellas.

Votação de medida provisória que altera indenização fica para 2013

A votação da medida provisória que aumenta a indenização das transmissoras de energia (MP 591), que aderiram ao plano de renovação das concessões que vencem entre 2015 e 2017, foi adiada para 2013. 

Líder do governo no Congresso, o senador José Pimentel (PT-CE) informou que só serão apreciadas neste ano as medidas provisórias até o número 588. A decisão foi fruto de um acordo político, entre os partidos, não detalhado pelo senador. 

Com o acordo, a MP que trata das renovações das concessões do setor elétrico (MP 579), deve ser apreciada ainda em 2012, mas a 591, que é complementar à primeira, será votada apenas a partir de fevereiro. 

A MP 591 altera a fórmula da MP 579 para calcular a indenização das transmissoras de energia. Antes, os investimentos anteriores a 2000 feitos pelas empresas seriam considerados amortizados e não entrariam no cálculo do governo.

MP avança sem mudança em prazo para adesão

O Congresso aprovou ontem a MP 579, que prevê a renovação das concessões do setor elétrico, com alterações feitas pelo relator Renan Calheiros (PMDB-AL). 

Uma das mudanças prevê uma perda de arrecadação de R$ 100 milhões para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O texto, que era analisado em comissão mista especial, passa agora para votação no plenário da Câmara e depois do Senado. 

Pouco antes da aprovação, o relator da MP 579, Renan Calheiros, voltou atrás e decidiu retirar o prazo de 30 dias que permitiria às empresas do setor elétrico tempo maior para aderir às normas da MP.

O anúncio da proposta foi feito pela manhã, quando o relator leu as alterações que previam sobre a medida provisória. A criação desta janela seria uma alternativa para que companhias importantes, como a Cesp e a Cemig, pudessem repensar a decisão e aderir ao novo plano presidencial. 

À tarde, no entanto, após pedido de vista coletivo pelos integrantes da comissão que analisam a MP, o relator decidiu voltar essa parte do texto ao modelo anterior. 

Ao tentar se justificar, o senador foi confuso e misturou temas distintos. Segundo ele, a intenção de permitir os 30 dias para adesão serviria para aclarar o processo. 

No entanto, os parlamentares entenderam essa extensão do prazo como uma forma de revisar os contratos e buscar a renovação pelo modelo anterior à MP, ou seja, sem reduzir os preços.